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O 7 lugares mais barato do Brasil aguenta lotação máxima?

O 7 lugares mais barato do Brasil aguenta lotação máxima?
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Atire a primeira pedra quem nunca criticou a Chevrolet Spin, o carro que teve a dura missão de substituir Meriva e Zafira ao mesmo tempo. De início, não foi bem aceito pelo público por conta do seu design polêmico. Ganhou o apelido de Capivara, numa clara injustiça com o pobre animal.

Eu era um desses críticos, e lamentei o caminho que a GM estava trilhando. Numa época de feiosos Agile, Cobalt e Spin, a impressão que eu tinha era que o chefe de design estava com problemas de visão.






Além do design, a Spin deixou de lado algumas soluções inteligentes encontradas na Zafira, como os bancos individuais da terceira fileira que se “escondiam” no assoalho quando não utilizados. E também ficou mais pobre, perdendo itens de conforto e segurança.

Os anos foram se passando e as ruas foram sendo tomadas pelas Spins. Pelo jeito, muitas pessoas viam nela um carro honesto, que entregava o que prometia. Verdade seja dita, a concorrência pouco fez para oferecer algo semelhante, o que ajudou a Spin reinar na categoria dos carros de 7 lugares.

No ano passado, o chefe de design da GM (depois de passar por uma consulta no oftalmologista), percebeu que a boa Spin também poderia ser bonita. Afinaram um pouco aqui, esticaram um pouco ali, e ela ficou bem mais agradável de se ver. Palmas para os salvadores da Spin.

Porque a Spin

E foi com uma dessas que eu fiz uma viagem bem inusitada, pelo menos para mim. A ideia surgiu nas festas de final de ano, quando combinei com um casal de primos que poderíamos passar um final de semana na Ilhabela, litoral norte de São Paulo. Viagem marcada, fui atrás de um carro que tivesse bancos extras para levarmos nossas filhas, e vi na Spin LTZ (R$ 82.590) com câmbio automático uma ótima opção para isso. Vale frisar que a Spin parte de R$ 67.290 na versão de entrada LT e chega a R$ 88.190 na configuração Activ7.

Nesse momento, me deparei com um problema que certamente os donos de carros com 7 lugares enfrentam, que é a falta de espaço para bagagens. Como dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço e, nenhum desses carros tem dimensões de um ônibus, encontrei a solução num prático bagageiro de teto, cedido pela Thule, empresa sueca que é referência mundial nesse tipo de equipamento. O modelo Pacific, com 410 litros, se mostrou ideal para a viagem que teríamos pela frente.

Carro e bagageiro na mão, trabalhei com eles alguns dias antes da viagem. Nessa condição, fui me familiarizando com a Spin, que se mostrou um carro extremamente polivalente. No ciclo urbano, o destaque ficou para a visibilidade, bom torque em baixas rotações, câmbio com trocas perfeitas, direção elétrica levíssima em manobras e suspensão perfeitamente adaptada ao nosso solo lunar. Nos 277 km que rodei nesses dias pré-viagem, o consumo médio ficou em 8,6 km/l, segundo o computador de bordo.

A viagem

Tudo estava indo bem, mas eu queria ver como ela iria se sair numa situação mais extrema. Na sexta-feira daquela semana, eu, minha esposa e nossa filha, nosso casal de primos e uma filha, lotamos a Spin e o bagageiro Thule com malas e sacolas, que foram se espalhando pelo carro.

Logo que saí com o carro nessas condições, notei que o desempenho continuava praticamente o mesmo. O bom e velho motor 1.8 da Família I da GM, parece estar em sua melhor forma, desde que passou por melhorias nos modelos 2017 de Spin e Cobalt. E se os 106 cv de potência quando abastecido com gasolina não fazem milagre, os quase 17 kgfm de torque disponíveis nos 2600 rpm, mais o fantástico câmbio de 6 marchas, fazem da Spin um carro prazeroso de se guiar mesmo carregado.

Os elogios acabam quando o pé direito pisa no pedal do freio e fica claro que ele está subdimensionado. Os discos ventilados na dianteira e os tambores na traseira são suficientes para a Spin vazia, mas não deram conta de topo o peso que ela estava carregando. Na verdade, até deram conta, já que não bati o carro em nenhum momento. Porém, o espaço de frenagem além do normal é sempre motivo de sustos indesejados. Sabendo disso, optei por sempre manter uma boa distância em relação ao carro da frente.

Já o consumo, consegui 13 km/l na estrada, ainda com gasolina, uma média bem acima da expectativa. Qual outro carro consegue esse feito com 6 pessoas, muita bagagem e ar condicionado ligado o tempo todo? Acredito que nenhum! Mais uma vez, mérito do câmbio que mantém o motor sempre na rotação ideal, sem prejudicar o consumo. E claro, um motor de baixa cilindrada também ajuda.

Já em Ilhabela, o relato dos passageiros foi positivo. Até as meninas, que foram no pequeno banco inteiriço da terceira fileira, adoraram a viagem. Nessa nova Spin, a GM colocou trilhos na fileira central, portanto o espaço para as pernas pode ser negociado entre os passageiros, mas vale deixar bem claro que esse banco é ideal só para crianças mesmo. Adultos, só se for em curtos trajetos.

Nos dias que passamos na ilha, a Spin se mostrou uma boa companheira de viagem. Ir para os lugares com todos juntos em um só carro, é garantia de diversão e economia com combustível e estacionamento.

Mas ainda tinha a parte mais difícil pela frente: a subida da serra da Rodovia dos Tamoios. Com muitas curvas e um grau generoso de inclinação, eu temia que a Spin fosse reclamar comigo. Ledo engano. Ela não só cumpriu o trajeto com maestria, como o tempo todo veio na faixa da esquerda, ultrapassando os carros mais lentos e sem atrasar os que estavam atrás. O pequeno 1.8 é realmente incrível.

Nesse trajeto de volta, o álcool foi escolhido para encher o tanque e o carro passou a ter 111 cv. Foi gasto 1 litro à cada 7 quilômetros nessa condição de subida de serra. Não é um bom número, mas ele é o que tinha que ser, já que o carro foi bem exigido. A boa notícia é que nunca teremos uma serra de 300 quilômetros pela frente. Esses trechos são sempre curtos e não comprometem o consumo geral, tanto que no restante da viagem, o consumo com álcool ficou na casa dos 10 km/l.

No dia seguinte à volta da viagem, veio a pior parte: devolver o bagageiro para a Thule e a Spin para a Chevrolet. Gostei tanto dessa combinação, que poderia perfeitamente ser meu carro de uso diário. Por isso eu disse no início que a Spin é polivalente.

Onde pode melhorar

A principal crítica vai para o freio, item de segurança ativa que a GM precisa reavaliar. Mas também seria prudente equipar o carro com controles de estabilidade e tração. Já os airbags, houve um retrocesso em relação a Zafira, já que a anterior oferecia 4 em vez dos apenas 2 frontais da Spin.

O ar condicionado gela muito bem, mas tem apenas 4 velocidades e a diferença é grande de uma para a outra. Por vezes, a percepção de temperatura foi diferente entre os passageiros. Um modelo automático com mais difusores espalhados pelo carro seria mais conveniente.

Porém, quando vemos que a Chevrolet Spin LTZ é o carro de 7 lugares mais barato do Brasil, o pacote de equipamentos é até surpreendente para um carro de entrada da categoria. Nesse vídeo que fiz, quando ainda estava em Ilhabela, mostro todos os detalhes do carro.

Para concluir, essa bela Spin azul fez eu enxergá-la com outros olhos. Antes um carrinho medonho, agora um veículo de respeito, amigo de uma boa viagem.

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página do Felipe no Facebook.


Créditos: CarSale

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