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A VW não está louca, você que não conhece a história

A VW não está louca, você que não conhece a história
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Isso era um Fusca em 1939Desde que a Volkswagen anunciou uma guinada no sentido dos carros elétricos, não foram poucos os pilotos de teclado que começaram a reclamar. “Eles não podem acabar com os carros a combustão”, ou “o Golf não pode morrer”, diziam. Primeiro que isso não vai acontecer tão cedo, tá? Respirem um pouco antes de digitar.

Segundo que negar o direito da Volkswagen de promover uma revolução em sua linha de produtos só revela uma grande falta de conhecimento da história da marca. Todos sabem de sua origem, assim como todos sabem que o Fusca foi “A” Volkswagen por décadas. E o Golf pegou a tocha e ajudou a trazer a marca alemã até o século XXI.

O que vocês podem estar esquecendo é que a mudança do Fusca para o Golf já tinha gerado uma grande rejeição na época. Ainda em 1969, um cara com um nome bem alemão, Karl Lotz, assumiu a presidência da Volkswagen em meio a uma crise. As vendas do nosso querido fusquinha estavam caindo ano a ano e a marca beirava o prejuízo.

Os tempos já eram outros, só ter um carro não bastava. As pessoas queriam mais. Em finais dos anos 1960, um Fusca já era um projeto de quase 30 anos e que mudou pouco ao longo do tempo. Os números em queda só refletiam que o público estava procurando algo a mais. Apesar de enfrentar resistência, Lotz viu que uma mudança era necessária.

Vale lembrar que o Golf não foi o primeiro carro “à água” da VW. a primazia foi do Passat. Lançado um pouco antes, usava um motor com arrefecimento a líquido e tração dianteira para entregar um rodar mais silencioso e um consumo de combustível melhor, tudo isso emprestado da Audi. O sucesso do Passat foi o que calou os críticos da aposentadoria do “carro do povo” e deu a Lotz a confiança para lançar a braba: o sucessor do Fusca seria essencialmente um “anti-Fusca”.

Esse é o anti-Fusca, ou Golf para os íntimosEm 1974, a Volkswagen lançava o Golf sob olhares curiosos. Giorgetto Giugiaro assinou o design com uma régua, a tração estava na dianteira o motor “a ar” tinha sido posto de lado. Será que a Volkswagen ia conseguir se renovar. Mais importante: iria dar certo? Bem, essa pergunta creio que nem preciso responder.

Mas a lição é: em tempos difíceis, a Volkswagen soube identificar o que era necessário fazer, para onde a empresa deveria ir. Mesmo que isso significasse deixar para trás tudo aquilo que fez da marca o que ela era até então. Pergunte para uma cobra, às vezes trocar de pele é fundamental para que você continue crescendo.

Vocês sabem por que o ID.3 tem esse nome? Aliás, o Volkswagen ID.3 é primeiro carro totalmente pensado do zero para ser um carro elétrico e que dará origem a diversos modelos movidos a bateria no futuro. ID vem de um trocadilho com “Identidade”, o 3 vem do fato de ser a terceira vez que a Volkswagen vai precisar apresentar um produto que vai fomentar as próximas décadas. A primeira vez foi o Fusca, a segunda, o Golf. Ainda acho que o pequeno hatch elétrico merecia um nome próprio, mas ID.3 foi escolhido.

Assim como na época da rixa Fusca x Golf, hoje a disputa é entre manter os motores a combustão ou partir de uma vez para os elétricos. A decisão em Wolfsburg já foi tomada (han, han, entendeu o trocadilho?). Vocês podem reclamar o que for da morte do Golf. Mas, no fundo, seu pensamento é o mesmo daqueles que não queriam o Golf. Ou seja, você parou em 1974.

Carro a combustão não dá mais futuro. Não apenas por uma “onda verde” ter batido nos grandes executivos das montadoras. Em dez anos, alguns países da União Europeia já vão começar a proibir a venda de carros que emitem gases, incluindo híbridos. Quando essa data chegar, vai ser tarde demais para começar a catar coquinho no chão e desenvolver um carro elétrico. A Volkswagen sabe disso, e sabe o que público quer. 

Vai dar certo? Já deu. Tudo bem que a Noruega não é um mercado grande, mas, em setembro, 2 em cada 3 carros vendidos lá eram elétricos. E, entre eles, qual foi mais vendido em setembro? Volkswagen ID.3. Foram 1.974 (coincidência com o ano do Golf) unidades no primeiro mês completo de emplacamentos do elétrico da VW por lá. Sabe o Golf? Foi oitavo com apenas 371 unidades.

Morenagens:

Dois mil e vinte quantos mil reais?! – Bem-vindos ao novo normal. Se a Toyota pode vender Corolla pelado a R$ 110 mil, por que a Honda não sobe os preços do Civic? Subiram, agora parte de R$ 107,2 mil na versão LX 2021. Ganhou acendimento automático de faróis e central multimídia no lugar do rádio. Quer o Touring 1.5 turbão? R$ 146,5 mil e é seu.

Meio down com o up! – A mensagem já está dada faz tempo. O Volkswagen up! vai sair de linha até o final do ano. Mas dá tempo de lançar a linha 2021 ainda e abastecer estoque para uma boa parte do ano que vem. Vai perder todas as versões menos a Xtreme turbo, mantendo o preço de R$ 60.990. Assim, ele vai deixar de ser o VW mais barato Brasil. Título volta ao Gol 1.0, que custa R$ 54.550. Sim, o Volkswagen mais barato do Brasil custa quase R$ 55 mil. Dá para chamar de “Carro do Povo” ainda? Perguntando para um amigo…

Querendo, dá sim – Indo no caminho inverso do que temos visto em 2020, a Fiat apresentou a linha 2021 do Grand Siena que, sim, ainda está sendo fabricado. E ganhou versões mais baratas, veja só. Agora parte de R$ 51.290 em versão sem nome 1.0, R$ 1.200 a menos que o Attractive 1.0. O mesmo vale para o 1.4 e perderam só umas peças pintadas, como maçanetas e espelhos. Ou seja, se houver interesse, dá para fazer um carro mais barato.

Menos não é mais – A Jeep mandou uns toques do que vai começar a fazer em breve. Algumas coisas já sabíamos, como Renegade e Compass com motores elétricos, híbridos ou ainda turbinados. O que a gente meio que já sabia, mas não muito, é que em 2021 chega um Jeep maior ainda com sete lugares. A briga aqui vai ser com o VW Tiguan. Aguardem.


Créditos: amigogearheads

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